Restou de ti em mim
um sorriso só
qual um timbre
equacionando em minha mente
todas as fases
que dediquei-me a você.
Restou de ti em mim
um lamento
como pesa um tormento
por deixá-la partir
Então eu ignoro as evidências
eu enfrento as armadilhas
assim como quem chora ou sorri
por muito pouco
ou quase nada!
sábado, 23 de outubro de 2010
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
ASAS
Ignore as últimas gotas de creme no espelho
Essas fotografias doem tanto quanto as cores
Juro que não vi quando tu choravas,
Agora eu vou,
Mas essas minhas asas são tão pequenas,
Os sonhos se findam na velocidade e
não na amplitude, disse-me o velho.
O portão rangeu, a menininha de olhos claros
sorrio-me, com seu vestido translúcido e esvoaçante
queria dizer-te que tudo poderia ser diferente
mas a porta já se fechou
as telas, os discos ficaram também.
Onde estaria todo aquele amor?
Provavelmente encharcando pinga com limão
No rádio uma canção dizia
“Que a vida é respirar, ter prazer e desprazer”
Tranco a porta do auto e deixo o vento acariciar
Minha face e barba, simplesmente,
Na doçura lisa do asfalto.
Júlio César da Costa
Poética da Predilecção
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
LINHA
Minha tristeza tornou-se ineficaz
diante da montanha tão flagelada
Tua voz estava melancólica do outro lado da linha
e fechei os olhos até sentir meus dedos tocando sua face
num gesto somente meu de carinho,
mas era teu corpo e teu ser por inteiro
invadindo-me a madrugada
Quis dizer-te tanta coisa que sucumbisse essa inércia
a essa sensação inoperante de fragilidade.
É inútil te dizer das coisas avassaladoras que me invadem
Sei que tememos esses cataclismos.
Pois tu és o ciclone que varreu as encostas
e regenerou as ondas do mar
que descabelou as árvores
e fez ajoelhar os coqueiros.
Tua voz estava melancólica do outro lado da linha
Mas agora a vejo suspensa no equador
Ignorando a própria linha
E o sorriso de tufão agora é brisa
E teu hálito de flores que tudo paralisa.
Toda a poesia das coisas e dos homens
das esquinas solitárias
da solidão das horas vagas.
Júlio César da Costa
sábado, 9 de outubro de 2010
FADA
Você menina
é uma pedrinha de jade
não sabe, só cabe....
numa rosa em botão!
Você princesa
é uma pétala de orquídea
epífita
explícita
presa nos galhos da lua.
É maga, é fada é ninfa
com suas asas de papel
machê,
de seda,
presa nas bordas do céu!
Júlio César da Costa
é uma pedrinha de jade
não sabe, só cabe....
numa rosa em botão!
Você princesa
é uma pétala de orquídea
epífita
explícita
presa nos galhos da lua.
É maga, é fada é ninfa
com suas asas de papel
machê,
de seda,
presa nas bordas do céu!
Júlio César da Costa
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
ONDE ESTA O AMOR
Um amor não se pode medir assim
Com palavras nem canções
Só um simples aterrissar como colibri,
Com a face inversa da mão ofertar um carinho
São cidades paradas por nada
E se cruzam em ruas, alamedas, calçadas
Sem incapaz de dizer:
“to aqui”
Deixei uma rima por detrás do retrato
Seu sorriso eu roubei da fotografia
Um amor desmanchando no chão
Como bala descascada ao sereno,
É manjar de formigas,
Devolva-me o aceno
Que me levou da janela
Descascando cebola
Chorando sobre a panela
Um vinil na vitrola
Deslizava Tim Maia
E o molho vermelho já manchou a sua saia,
Arrebentei a sapucaia!
Mas é no peixe com coco
Que o amor me renasce
É com alho, sal e coentro
Veja assim, lá por dentro
O amor estava aqui!
Júlio Cesar da Costa
Poética da predilecção
LIBERTA-ME
Liberta-me dessa mórbida paixão
pois esta mulher é como sândalo
é uva fresca entre meus lábios
e suas coxas ao tocarem meu ventre
são como o abraço das águas.
Liberta-me dessa mórbida paixão
pois esta mulher é como o vento
soprando meu peito
e seus lábios úmidos e quentes
são como chuvas de verão.
Liberta-me dessa mórbida paixão
pois esta mulher é como a síndrome
aniquilando-me
minado-me as bases
sugando-me as forças,
e os seus seios juvenis
São como flores de primavera.
Liberta-me dessa mórbida paixão
pois esta mulher é como o oceano
e seus cabelos jorram em ondas
sobre a minha face
e o seu sexo
é uma corrente marítima
puxando-me
afogando-me
condenando-me
a morrer no seu gozo.
Julio César da Costa
terça-feira, 5 de outubro de 2010
UMA MANHÃ PARA VOCÊ
Quando você pensar
que nada mais existe
entre um lacónico horizonte
e um infinito céu de fim de tarde,
e buscar respostas para tantas indagações
sem saber que sob sua janela
no gramado do jardim
há tantas ervas daninhas que
queriam ser flores,
e você sonolenta numa manhã de sábado
sente-se muito mais...
quando a chuva canta na calha do telhado
e escorre suavemente pelo chão do quintal
querendo molhar o jornal
que porém, o jornaleiro previdente
o embalou com cuidado.
E esse jornal
trás notícias
fatos que só valem para esse dia.
Há agora um sorriso teu distante do
espelho do banheiro
com a boca toda maquilhada
pelo branco refrescante
do creme dental,
e os cabelos aprisionados
Um dia a mais é sempre diferente
de um dia de ontem?
Júlio César da Costa
que nada mais existe
entre um lacónico horizonte
e um infinito céu de fim de tarde,
e buscar respostas para tantas indagações
sem saber que sob sua janela
no gramado do jardim
há tantas ervas daninhas que
queriam ser flores,
e você sonolenta numa manhã de sábado
sente-se muito mais...
quando a chuva canta na calha do telhado
e escorre suavemente pelo chão do quintal
querendo molhar o jornal
que porém, o jornaleiro previdente
o embalou com cuidado.
E esse jornal
trás notícias
fatos que só valem para esse dia.
Há agora um sorriso teu distante do
espelho do banheiro
com a boca toda maquilhada
pelo branco refrescante
do creme dental,
e os cabelos aprisionados
Um dia a mais é sempre diferente
de um dia de ontem?
Júlio César da Costa
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