terça-feira, 11 de janeiro de 2011

ACORDA

            JULIO CESAR COSTA - DA SÉRIE PROCURANDO UM "P" EM PEDRINHAS 2008

sábado, 8 de janeiro de 2011

GRAÇA

Da vida, perdi de todo o gosto
desde o dia
em que me deixastes,
ó da Graça,
por um medíocre pressuposto
ou por medo de meu amor latente.

Ai quem me dera
ter em mim
essa volúpia
desse teu amor em ânsia
eu voltaria então,
a nossa pura infância
e te roubaria um beijo
primeiro desejo
desse meu amor insano.

Da vida, perdi de todo o gosto
desde o dia
em que não vi mais seu rosto
tua face pálida
na moldura opaca
do artista plástico.



Júlio Costa ( Cacos de mim- poesia arte 1994)

SONETO DE TODO AMOR QUE SONHEI

Foste um dia todo amor que sonhei
Foste um desejo transparente
Toda lágrima que derramei
A viva luz do meu sol nascente.

Foste na vida meu maior momento
Muito mais que paixão, foste amor,
Foste também sofrimento
que soprou-me no vento numa lástima dor

Foste toda a poesia
que arranquei de meu peito
e assim já sem jeito te abracei não sabia

que no fim desse dia
padecia em teu leito
nem amor,nem paixão, só a morte queria.

Júlio Costa ( Cacos de Mim) poesia arte 1994

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

DESESPERANÇAS

SÃO SUAS
ESSAS DESESPERANÇAS QUE ME RONDAM
O MEU ABANDONO E FRUTO DE SUA AUSÊNCIA
SAIBA ENCONTRARAS FAGULHAS TIMIDAMENTE QUIETAS
OUTORA INQUILINAS DO FOGO
QUE SÓ CONSOMEM
O QUE LHES É PERMITIDO.

SÃO MINHAS
ESSAS INVESTIDAS CONTRA O TEMPO
MINHAS DUVIDAS SÃO ÚNICAS SENTENÇAS
E ENGESSAM-ME COMO MORDAÇAS DE CIMENTO

SÃO NOSSAS
ESSAS CUMPLICIDADES TARDIAS
ESSES DESEJOS DESORDENADOS
ESSE FALAR QUIETO
ESSE CANTAR EM RESPOSTA AOS PASSARINHOS...

JULIO COSTA

MONOGRAMA

                              Versos teus , meu amor!
                          eu achei pelo chão
                          como se fossem folhas
                          numa só direção.

                          Versos teus, meu amor!
                          eu achei rabiscado
                          num negro carvão escondido
                          na parede enfeitada à cal.

                          Agarrei os com fúria
                          esvaziaram-me as mãos
                          entreguei-me a lamuria
                          exorcizei a razão

                          Versos teus , meu amor!
                          eu achei
                          rabiscados na lama
                          desprezei o rancor
                          revisei nossa trama
                          reencontrei nosso amor
                          num velho monograma.



Júlio Costa

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

AMOR

Entre lágrimas e pétalas
o amor me vem
me faz refém.
O efémero beijo me angustia
um ser excêntrico
de volúpia, fugaz,
Um  andrôgeno ser me é o amor
fruto inocente repousando num quarta de relíquias
O amor agora é somente barulho de chuva chuviscada no telhado
Os pés teimosos insistem em sujar o tapete da sala.
As fronteiras são imagens
A moradia é universo
O gueto é universo
O núcleo é universo
O vale é universo
ama-se aqui, como se ama em além mar
é medíocre camuflar o amor
debruçado na sombra fria
entregar-se ao amor
ao seu último respaldo
no fim desse dia.

Julio Costa 12?11/1996

ANJO

     Minha branca menina
  para onde esse mórbido destino
  nos encaminha?

 Insuperável mulher!
 porque mesmo distante
 de ti voltei
 carregando o fardo
 de tudo que por ti não abandonei.

 A dor de sofredor por um amor platónico
 e vivo remando contra a correnteza
 por esse amor estapafúrdio, anti lógico
 mas se redime ante a tua beleza

Minha branca menina
porque descestes do céu?
como um anjo em sua sina
com a fúria de um Lúcifer
ou um amor de Gabriel
ó minha branca menina
porque não me levas ao céu?


Julio C Costa 15/01/1992