quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

DISTÂNCIA

Há certo tempo
tento furtar sua imagem
no papel canson
Não sei desenhar
procuro no mapa estendido sobre a mesa
o local que acolhe seu destino
cartas cartográficas
linhas infinitas
pergunto-me porque a saudade consome
por que nos diminuímos
e se agiganta a figura implacável do outro
e admiro seus gestos mais simples
e admiro suas feições mais comuns,
A chuva costumeira é a mesma
trazendo frio ,fazendo lama
envolta em edredão na planície da cama
que para sempre espera-te.
Imagino-te perdida na tempestade do chuveiro
afastando o nevoeiro do espelho,
absorta em sua nudez.
Não apazigua-me as mensagens
não contenta-me os recados
deparo-me com seu retrato
estendido ao criado mudo
sorrindo-me por um segundo.




Júlio Costa 2008

sábado, 22 de janeiro de 2011

E SE EU TE VISSE HOJE

E se eu te visse hoje
com um sorriso no canto da boca
E se meus dedos
não alcançassem
seus cabelos caindo sobre os olhos
se esses mesmos olhos castanhos
pedissem aos meus para fitá-los
E de meus lábios trêmulos
não brotassem palavras
O teu abraço me enchendo de medo
e nós imóveis
mantendo uma distância
mas de alguma forma um circuito de movimentos
bombardeassem  nossas almas
E se a música cotidiana do silêncio
soasse tão boa
e o lilás das flores de amor-perfeito
tomassem suas unhas
E se sua cintura coubesse ainda
na forma insólita de minhas mãos
para que eu a esculpisse nas pedras
que cada dia apanho
e as empilho...
Se eu registrasse todos os momentos
que te procurei  entre estrelas
E a maneira como se perfume
permaneceu guardado comigo
E se teus pés pequenos precisassem
do descanso da grama
eu te reapresentaria ao verde das serras,
a silhueta das montanhas, e a  continência dos rios,
para que sussurrassem em seus ouvidos
os mantras que compus sob a chuva,
E se ajoelhasses contemplativa diante do mar
enquanto as águas tímidas rasteiras tocassem seu corpo
e as ondas dissessem o quanto te esperei.

JULIO COSTA

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

BRADO DE AGRADO

Existe um brado de agrado
saltando dos lábios teus
meus dias já estão marcados
gravados em seus camafeus!

Eu te encontrei
à beira mar
esperando um barco
para ir a Marujá
te perguntei
não respondeu,
o teu silêncio vale mais  do que o meu!

Existe um canto em acalento
saindo da tua mão
não te divido o meu pranto
concebo meu coração!

Eu te encontrei
tava embarcado
tomara  um barco
para a vila do Prelado
eu te olhei
você sorrio
eras tão bonita
quantas as águas desse rio!


Júlio Costa

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

BORBOLETAR

Puro casulo
rompe asa
de seda multicor
baila ao vento
Aquarela camufla-se
entre flores
Néctar embriagar-se do perfume
pólen
Alçar longos voos
liberdade
transitar entre montanhas
liberdade
Inteirar-se ao ar
conquistar , absorver os raios
realçar as cores
Então transfiguram
viajar
o verbo renasce no sonho
voar, voar
borboletar!

Julio Cesar Costa- "Cacos de Mim" 1994




                            Interpretação de Carlos Malungo para o poema    
                            "borboletar", uma bela composição do talentoso
                            cantor e compositor mineiro, radicado em      
                            São Paulo, meu parceiro de longa data.      

ACORDA

            JULIO CESAR COSTA - DA SÉRIE PROCURANDO UM "P" EM PEDRINHAS 2008

sábado, 8 de janeiro de 2011

GRAÇA

Da vida, perdi de todo o gosto
desde o dia
em que me deixastes,
ó da Graça,
por um medíocre pressuposto
ou por medo de meu amor latente.

Ai quem me dera
ter em mim
essa volúpia
desse teu amor em ânsia
eu voltaria então,
a nossa pura infância
e te roubaria um beijo
primeiro desejo
desse meu amor insano.

Da vida, perdi de todo o gosto
desde o dia
em que não vi mais seu rosto
tua face pálida
na moldura opaca
do artista plástico.



Júlio Costa ( Cacos de mim- poesia arte 1994)

SONETO DE TODO AMOR QUE SONHEI

Foste um dia todo amor que sonhei
Foste um desejo transparente
Toda lágrima que derramei
A viva luz do meu sol nascente.

Foste na vida meu maior momento
Muito mais que paixão, foste amor,
Foste também sofrimento
que soprou-me no vento numa lástima dor

Foste toda a poesia
que arranquei de meu peito
e assim já sem jeito te abracei não sabia

que no fim desse dia
padecia em teu leito
nem amor,nem paixão, só a morte queria.

Júlio Costa ( Cacos de Mim) poesia arte 1994